O bicudo (Sporophila maximiliani), conhecido como bicudo-verdadeiro, bicudo-do-norte ou bicudo-preto, é um pequeno pássaro granívoro de cerca de 15 cm e 20 a 25 gramas, marcado pelo seu bico grosso e cônico, forte o suficiente para quebrar sementes duras. O macho adulto tem plumagem quase toda preta, com pequenas marcas brancas nas asas e bico claro; a fêmea e os filhotes são amarronzados, com o dorso mais escuro. É uma ave de áreas alagadas, brejos, beiras de rio e capões, onde se alimenta de sementes de plantas como a navalha-de-macaco e a tiririca.
O bicudo é uma lenda viva entre os criadores brasileiros. Seu canto é considerado um dos mais ricos do país: uma frase musical pode ter mais de 20 notas, com voz flauteada, melodiosa e cheia de divisões. Por isso existem dezenas de dialetos regionais reconhecidos, e modalidades de competição bem definidas, como o Clássico Goiano, a Alta Mogiana, o canto Flauta e o Peito de Aço. Aprender a reconhecer esses cantos é parte do encanto de conviver com a espécie.
É exatamente essa fama de grande cantor que cobrou um preço alto: muito perseguido pelo tráfico, o bicudo está criticamente ameaçado de extinção (CR) e praticamente desapareceu da natureza em boa parte do Brasil. Hoje, a população viva está sobretudo em cativeiro, nas mãos de criadores legalizados. Manter um bicudo é, antes de tudo, um compromisso com a conservação: só é permitido criá-lo com cadastro no SisPass/IBAMA, anilha fechada oficial e origem comprovada em criadouro autorizado. Bem cuidado, com alimentação correta e tranquilidade, ele recompensa com um dos cantos mais bonitos que você vai ouvir.