O sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) é uma das aves mais queridas do Brasil e foi declarada Ave Símbolo Nacional por decreto em 3 de outubro de 2002. Mede cerca de 23 a 25 cm, tem o dorso pardo-acinzentado, a garganta branca riscada e o ventre na inconfundível cor laranja-ferrugem que dá nome popular à espécie. O bico é amarelo-oliva e os olhos têm um delicado anel amarelo. É um pássaro nativo, presente do Nordeste ao Sul do Brasil e também em países vizinhos, ausente apenas na Bacia Amazônica.
É pelo canto que o sabiá-laranjeira conquistou o coração dos brasileiros. A voz lembra uma flauta, é melodiosa e pode durar até dois minutos sem parar, sendo ouvida a mais de um quilômetro de distância. Ele canta com mais força ao amanhecer e no fim da tarde, principalmente na primavera, época do amor e da reprodução. Foi esse canto que Gonçalves Dias eternizou na Canção do Exílio ("Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá"), e que aparece em versos de Drummond, Jorge Amado, Luiz Gonzaga e Patativa do Assaré.
Adaptado a quintais, praças e jardins urbanos, é um vizinho familiar em boa parte do país. Quem deseja criar um sabiá-laranjeira em casa precisa saber que, por ser ave silvestre nativa, a criação só é permitida de forma legal e responsável: com registro no SisPass/IBAMA, ave anilhada com anilha fechada oficial e origem comprovada de criadouro autorizado. Assim você aprecia esse cantor brasileiro sem prejudicar as populações de vida livre.