O urutau (Nyctibius griseus) é uma das aves mais misteriosas e queridas do Brasil. Também chamado de mãe-da-lua, é uma ave noturna de hábitos discretos, com plumagem em tons de cinza e marrom-canela rajados de escuro que imita à perfeição um galho seco. Durante o dia, ele se posiciona ereto e imóvel sobre um toco de árvore, estica o pescoço e literalmente desaparece na paisagem — por isso é tão difícil de encontrar, mesmo dentro das cidades. Mede de 33 a 38 cm, tem olhos enormes e amarelos e uma boca larguíssima, características que renderam à espécie fama nos memes da internet pela expressão de "susto" eterno.
A marca registrada do urutau é o canto noturno: uma sequência longa e descendente de notas tristes, que ecoa pela mata ao entardecer e nas noites de lua cheia. Esse lamento melancólico está por trás de inúmeras lendas indígenas e do próprio nome "urutau", de origem tupi-guarani, associado à ideia de "ave-fantasma" por causa do som assombrado. No Peru, onde é chamado de "ayaymama", dizem que o canto lembra uma criança chamando pela mãe — "ai, ai, mamãe". É uma ave insetívora: à noite, sai do galho em voos curtos e silenciosos para capturar mariposas, besouros e cupins no ar, voltando sempre ao mesmo poleiro.
É importante deixar claro: o urutau é uma ave da fauna silvestre brasileira, protegida por lei. Ele NÃO é um pássaro de gaiola e não pode ser criado em casa. Capturar, manter ou comercializar um urutau é crime ambiental. A forma certa de se relacionar com essa ave é apreciá-la na natureza — ouvindo seu canto à noite, aprendendo a identificá-la camuflada nos galhos e ajudando a conservar as matas e árvores onde ela vive. No passarinho.io, celebramos o urutau como um patrimônio da nossa fauna, que pertence à liberdade da noite.