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Coleiro: guia completo da espécie

Pequeno no tamanho e gigante no canto, o Coleiro (Sporophila caerulescens) é um dos pássaros mais queridos dos criadores brasileiros, famoso pelo clássico canto tui-tui.

Nome científico

Sporophila caerulescens

Também conhecido como

  • Coleirinho
  • Papa-capim
  • Papa-arroz
  • Coleiro tui-tui
  • Coleirinha
Nativa — exige SisPass
Coleiro (Sporophila caerulescens)
Coleiro (Sporophila caerulescens) — foto 2
Coleiro (Sporophila caerulescens) — foto 3
Coleiro (Sporophila caerulescens) — foto 4
Fotos: Marco Aurélio Toso (CC BY-SA 4.0) · Fernando Druziani (CC BY-SA 3.0) · Fernando Druziani (CC BY-SA 3.0) · Jânio Muniz (CC BY-SA 4.0) · via Wikimedia Commons.

Conheça o Coleiro de perto

O Coleiro, também chamado de coleirinho ou papa-capim, é um pássaro nativo do Brasil que conquistou gerações de criadores com seu canto curto, limpo e cheio de personalidade. O macho é inconfundível: costas acinzentadas, peito claro e o famoso "colar" preto no pescoço que dá nome à espécie. A fêmea, de tons pardos e oliváceos, não emite o canto completo — quem brilha nas rodas e torneios é sempre o macho. Na natureza, vive em campos, beiras de brejo e áreas abertas, alimentando-se de sementes de capim, daí o apelido papa-capim.

O que faz do Coleiro uma paixão nacional é a riqueza de seus cantos. O mais valorizado é o tui-tui e suas variações — zel-zel, zero-zero, flautado —, mas há também linhas como o grego (ou mateiro), o vi-vi-ti e o sil-sil, cada uma com seus admiradores em diferentes regiões do país. Em torneios oficiais, o Coleiro disputa nas modalidades de fibra (quem canta mais) e canto clássico (quem canta mais perfeito dentro do padrão), movimentando clubes e federações em todo o Brasil.

Por ser uma espécie nativa, a criação do Coleiro em casa só é permitida com registro no SisPass, o sistema do IBAMA para criadores amadores de pássaros. A boa notícia é que existem milhares de criadouros legalizados no país, e adquirir uma ave anilhada e documentada é simples, seguro e ajuda a combater o tráfico de animais silvestres. Criar legalizado é a forma mais bonita de amar essa espécie: você garante o bem-estar da sua ave e protege as populações que ainda cantam livres nos campos brasileiros.

Cuidados no dia a dia

Alimentação

A base da alimentação do coleiro é uma boa mistura de sementes, com o alpiste como carro-chefe: uma proporção muito usada pelos criadores é cerca de 50-55% de alpiste, 20-30% de painço, 10% de níger e 10% de senha (aveia descascada). Complemente com farinhada com ovo duas a três vezes por semana (diariamente na muda e no cio), verduras frescas bem lavadas como almeirão, catalonha e chicória, e pedaços pequenos de frutas como maçã e mamão. Sementes de capim verde (como o capim-colonião em espiga) são um agrado natural que a ave adora — não é à toa que ele é chamado de papa-capim. Não podem faltar osso de siba (fonte de cálcio), areia mineral e água limpa trocada todos os dias. Evite alface em excesso, abacate, alimentos salgados, doces e qualquer comida temperada, que são tóxicos ou prejudiciais para a ave.

Muda de pena

A muda de penas do coleiro acontece uma vez por ano, geralmente entre o fim do verão e o outono (de fevereiro a junho, variando conforme a região), e dura em média de 45 a 90 dias. Nesse período é normal a ave parar de cantar ou cantar muito pouco — ela está gastando toda a energia para fabricar penas novas. O manejo correto é simples: local tranquilo e sem contato visual ou sonoro com outros machos, nada de estímulo de canto ou torneio, e alimentação reforçada com farinhada com ovo diariamente, verduras e a mistura de sementes sempre fresca. Banhos livres ajudam as penas novas a abrirem bonitas. Uma muda bem cuidada é investimento direto na temporada seguinte: ave que muda bem volta cantando com mais qualidade. Se a muda "travar" (parar no meio) ou se estender demais, reveja a alimentação e o estresse do ambiente, e na dúvida consulte um veterinário de aves.

Espécie nativa — SisPass/IBAMA

Criação legalizada

O Coleiro é uma espécie nativa do Brasil, e por isso sua criação em casa só é permitida de forma legalizada: a ave precisa ter anilha fechada oficial e o criador precisa de registro no SisPass, o Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadorista de Pássaros do IBAMA. O cadastro é feito pela internet, tem custo anual acessível e permite manter, comprar, vender e até reproduzir seus pássaros dentro da lei. Ao adquirir um coleiro, exija sempre a anilha, a nota fiscal e a transferência no sistema feita por um criadouro ou criador legalizado. Capturar aves na natureza ou comprar pássaro sem anilha é crime ambiental (Lei 9.605/98) e alimenta o tráfico que ameaça a espécie nos campos brasileiros. Criar legalizado é fácil, seguro e é o maior gesto de amor que você pode ter por essa ave: você cuida do seu pássaro com tranquilidade e ajuda a garantir que os coleiros continuem cantando livres por aí.

Pra contar pros amigos

Curiosidades sobre o coleiro

  • 1

    O apelido "papa-capim" vem do hábito natural da espécie de se alimentar de sementes de gramíneas nos campos e beiras de brejo.

  • 2

    Só o macho canta o canto completo — a fêmea, de plumagem parda e sem o colar preto, emite apenas chamados simples.

  • 3

    O canto do coleiro tem "sotaques": os dialetos variam de região para região do Brasil, do tui-tui paulista ao grego mais matuto.

  • 4

    Em torneios oficiais, o coleiro disputa em modalidades como fibra (vence quem canta mais vezes) e canto clássico (vence quem canta mais perfeito dentro do padrão).

  • 5

    O "colar" preto que dá nome à espécie só aparece completo no macho adulto, após as primeiras mudas de pena — filhotes machos são pardos como as fêmeas.

  • 6

    Com bons cuidados, um coleiro pode viver mais de 10 anos em criação doméstica legalizada.

  • 7

    É um dos pássaros canoros mais criados do Brasil, com clubes e federações dedicados à espécie em praticamente todos os estados.

Perguntas frequentes

Dúvidas de quem cria o coleiro

Respostas diretas para o dia a dia. Quer ir mais fundo? Veja o guia de treino de canto e o passo a passo para quando o coleiro parar de cantar.

É legal criar coleiro em casa?

Sim, desde que a ave seja anilhada e você tenha registro no SisPass, o sistema do IBAMA para criadores amadores. Compre apenas de criadouros legalizados, com anilha fechada e nota fiscal. Manter um coleiro capturado da natureza é crime ambiental.

Qual a diferença entre o coleiro macho e a fêmea?

O macho adulto tem costas acinzentadas, peito claro e o colar preto no pescoço, e é o único que emite o canto completo. A fêmea tem plumagem parda-olivácea, sem colar, e vocaliza apenas chamados simples. Filhotes machos também nascem pardos e vão ganhando a plumagem adulta após as primeiras mudas.