Passarinhos comuns de quintal: quem são as visitas mais frequentes?
Se você anda reparando nos passarinhos que aparecem no seu quintal, varanda ou jardim, saiba que existe um grupinho de espécies que é campeão de visitas pelo Brasil inteiro. Reunimos aqui as aves mais comuns que pousam perto da gente, com as marcas que ajudam a reconhecer cada uma. Bora descobrir quem são suas visitas de penas?
Bem-te-vi
Pitangus sulphuratus
Ave de porte médio (cerca de 22 cm), peito e barriga bem amarelos, dorso e asas marrons, com a garganta branca. A marca registrada é a cabeça: faixa preta passando pelos olhos como uma máscara e uma listra branca por cima. O bico é preto, grosso e levemente curvo na ponta. Costuma ser barulhento e anuncia a própria presença com o canto que parece dizer bem-te-vi.
Onde vive: Por todo o Brasil, em áreas abertas, bordas de mata, praças, parques, quintais e perto de água. É super adaptado à cidade e um dos pássaros mais fáceis de ver no dia a dia.
Sabiá-laranjeira
Turdus rufiventris
Pássaro marrom-acinzentado por cima, com a barriga num tom laranja-ferrugem bem característico que dá o nome. Tem um anel fininho amarelo-vivo ao redor do olho. O grande destaque é o canto: melodioso e prolongado, muito ouvido ao amanhecer e no fim da tarde, principalmente na primavera.
Onde vive: Comum em quintais, jardins, pomares e matas em grande parte do Brasil. É a ave-símbolo do país e adora terra revolvida e gramados onde caça minhocas.
Pombinha pequena (cerca de 17 cm), bem menor que a pomba comum. O macho é marrom-avermelhado (cor de tijolo) no corpo, com a cabeça acinzentada-azulada; a fêmea é toda parda, mais clarinha. Os dois têm pontinhos pretos espalhados pelas asas. Anda no chão aos casais ou em grupinhos, ciscando sementes.
Onde vive: Em todo o Brasil, é uma das aves urbanas mais comuns: praças, calçadas, quintais, hortas e campos. Muito acostumada com a presença das pessoas.
Sanhaço-cinzento
Tangara sayaca
Pássaro do tamanho de um pardal grande (cerca de 18 cm), de cor cinza-azulada por todo o corpo, um pouco mais clara na barriga. As asas e a cauda têm um brilho azul-turquesa. Os filhotes são mais esverdeados. Costuma vir aos pares ou em bandinhos e adora frutas, sendo visita certa em comedouros com banana e mamão.
Onde vive: Frequente em quintais, jardins, pomares e arborização urbana em quase todo o Brasil, especialmente onde há árvores frutíferas.
Pardal
Passer domesticus
Passarinho pequeno e rechonchudo. O macho tem capuz cinza, nuca castanha e uma mancha preta na garganta e no peito; a fêmea é mais discreta, marrom-acinzentada com uma listrinha clara atrás do olho. Vive em bandos barulhentos e ciscando o chão. É uma espécie introduzida (não nativa), muito ligada às construções humanas.
Onde vive: Em cidades e vilarejos por todo o Brasil, sempre perto de gente: telhados, beirais, praças, quintais e padarias. Raramente longe de áreas habitadas.
João-de-barro
Furnarius rufus
Ave marrom-avermelhada (cerca de 20 cm), com a garganta esbranquiçada e uma leve sobrancelha clara. O jeito mais fácil de identificar é pelo ninho: aquela casinha redonda de barro, em formato de forno, que ele constrói em postes, muros e galhos. Anda no chão aos casais, com passinhos firmes.
Onde vive: Comum em áreas abertas, gramados, quintais, fazendas e cidades em boa parte do Brasil. Onde tem barro, água e espaço aberto, costuma haver um casal por perto.
Como diferenciar
Pela cor amarela: o bem-te-vi tem amarelo no peito MAIS máscara preta e listra branca na cabeça e bico grosso. Se for um passarinho menor, todo amareladinho, sem máscara e com bico curto de comer sementes, provavelmente é um canário-da-terra (Sicalis flaveola), não um bem-te-vi.
Pela cor marrom/laranja: o sabiá-laranjeira tem barriga laranja-ferrugem e canta de forma melodiosa empoleirado; o joão-de-barro é marrom por inteiro, anda no chão e faz casinha de barro; a rolinha-roxa macho também é avermelhada, mas tem formato de pombinha e pontinhos pretos nas asas.
Pelo tamanho e formato: rolinha-roxa e pardal são os menores e ciscam o chão em grupos; pardal tem mancha preta na garganta (macho) e vive colado às construções, enquanto a rolinha tem corpo arredondado de pomba e os pontinhos pretos nas asas.
Pela cor cinza-azulada: só o sanhaço-cinzento tem esse cinza com brilho azul-turquesa nas asas e cauda. Nenhum dos outros é azulado, então essa cor já entrega quem é.
Pelo som: o bem-te-vi grita o próprio nome de forma aguda e repetida; o sabiá tem canto longo e musical; o joão-de-barro faz uma sequência de notas rápidas que vão acelerando, geralmente em dupla.
Perguntas frequentes
Qual o passarinho mais comum em quintais no Brasil?
Bem-te-vi, rolinha-roxa, sabiá-laranjeira e pardal estão entre os mais frequentes em quase todo o país. Em quintais com árvores frutíferas, o sanhaço-cinzento também aparece bastante, e onde há áreas abertas com barro é fácil ver o joão-de-barro.
Como atrair mais passarinhos para o quintal?
Ofereça frutas como banana e mamão num comedouro, mantenha um potinho com água limpa e troque diariamente, e plante árvores nativas frutíferas como pitangueira, goiabeira e jabuticabeira. Evite agrotóxicos e deixe um cantinho mais tranquilo: ambiente calmo, com água e comida natural, é o que mais agrada às aves.
Posso oferecer comida para os passarinhos do quintal?
Pode, com cuidado. Frutas frescas e água limpa são as melhores opções. Evite pão, frituras, alimentos salgados ou temperados e nunca dê comida estragada. O ideal é complementar, e não substituir, o alimento natural que eles já buscam nas plantas. Comedouro e bebedouro sempre limpos evitam transmissão de doenças entre as aves.
O pardal é um pássaro brasileiro?
Não. O pardal (Passer domesticus) é uma espécie introduzida, originária da Europa e da Ásia, que se espalhou pelas cidades brasileiras. Por isso vive sempre perto das construções humanas. Mesmo sendo comum, ele não é nativo como o bem-te-vi, o sabiá ou o joão-de-barro.