Avistou um passarinho preto e branco e ficou na dúvida? Você não está sozinho: várias aves bem comuns no Brasil têm esse contraste marcante. Aqui reunimos as candidatas mais prováveis, com as marcas que ajudam a reconhecer cada uma, onde costumam viver e como diferenciá-las sem estresse para a ave.
Lavadeira-mascarada
Fluvicola nengeta
Pequena (cerca de 15 cm), corpo predominantemente branco com asas e cauda pretas (a cauda tem ponta branca) e uma 'máscara' preta estreita que passa pelos olhos. É quase inconfundível pelo padrão branco com preto e pelo hábito de balançar a cauda.
Onde vive: Sempre perto de água: margens de rios, lagoas, açudes, brejos, parques e jardins arborizados com água. Comum no Nordeste e no Sudeste, vem se expandindo e é frequente em áreas urbanas.
Quero-quero
Vanellus chilensis
Ave de pernas longas, porte médio (cerca de 37 cm), com faixa preta do pescoço ao peito, garganta e ventre brancos, dorso acinzentado e um penacho fino preto atrás da cabeça. Olhos e pernas avermelhados. Em voo mostra forte contraste preto e branco nas asas e grita 'quero-quero' alto.
Onde vive: Campos abertos, pastagens, beira de lagoas, gramados de praças e até campos de futebol em todo o Brasil. Anda no chão e é muito territorial, especialmente perto do ninho.
Anu-branco
Guira guira
Anda em bandos barulhentos. Corpo creme-amarelado com asas e cauda longa escuras, dando aspecto malhado de longe, crista despenteada na cabeça e pele nua amarelada ao redor dos olhos. Pousa em grupo, todos juntos.
Onde vive: Áreas abertas, beira de estradas, pastos, cerrado, quintais e cidades em quase todo o Brasil. Vive em grupos familiares e costuma se aquecer ao sol pela manhã.
Anu-preto
Crotophaga ani
Todo preto fosco (não é exatamente preto e branco), magro, com bico alto, curvo e curto e cauda comprida que parece solta. Voa de forma desajeitada, em bandos. Pode ser confundido por quem viu uma silhueta escura de longe.
Onde vive: Capinzais, pastos, beira de mata, várzeas e áreas urbanas abertas em todo o Brasil. Anda em grupos junto ao gado, catando insetos.
Tesourinha
Tyrannus savana
Cabeça preta (capuz, com uma mancha amarela no alto geralmente oculta), garganta e barriga brancas, dorso cinza e uma cauda muito longa e bifurcada, maior que o corpo, no formato de tesoura, sobretudo nos machos. Inconfundível pela cauda quando pousada em fios e cercas.
Onde vive: Campos, cerrados, pastagens e áreas abertas. É migratória: aparece em grandes bandos no centro-sul do Brasil na primavera e segue para a Amazônia depois. Pousa em postes, fios e arbustos isolados.
Bem-te-vi
Pitangus sulphuratus
Muito visto e muito confundido: na verdade tem barriga amarela viva, dorso pardo, máscara preta e branca na cabeça com uma faixa branca por cima. Quem vê de costas ou contra a luz às vezes acha que é só preto e branco. O canto 'bem-te-vi' entrega.
Onde vive: Praticamente em todo o Brasil: quintais, praças, fios, beira de água e cidades. É uma das aves mais conhecidas do país.
Como diferenciar
- Olhe a cauda: cauda longa e bifurcada em tesoura é tesourinha; cauda comprida e solta num corpo todo escuro é anu-preto; corpo creme com cauda escura em bando é anu-branco.
- Veja onde está: se está perto de água balançando a cauda e é pequeno e branco com máscara preta, é lavadeira-mascarada; se anda no chão de campos e gramados com pernas longas, é quero-quero.
- Repare na barriga: barriga amarela com cabeça listrada de preto e branco é bem-te-vi (não é de fato preto e branco); barriga totalmente branca com asas pretas aponta para lavadeira ou tesourinha.
- Escute o canto: o quero-quero grita 'quero-quero' alto e repetido; o bem-te-vi diz o próprio nome; os anus fazem chamados ásperos em grupo.
- Conte quantos são: anu-preto e anu-branco quase sempre andam em bandos; lavadeira e tesourinha costumam aparecer sozinhas ou em casais.