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Identificar pássaro

Pássaro verde do Brasil: qual foi que você viu?

Verde é a cor de muitos pássaros brasileiros, então faz todo sentido a dúvida na hora de identificar. Na maioria das vezes, um "pássaro verde" voando em bando pela cidade é algum periquito ou maritaca; já os verdinhos pequenos e brilhosos no pé de frutas costumam ser saíras e saís. Aqui embaixo a gente separou os candidatos mais prováveis com as marcas que ajudam a bater o olho e ter certeza.

Periquito-rico

Brotogeris tirica

Periquito pequeno e todo verde, com a cauda comprida e pontuda. Tem um tom verde com matizes amarelados embaixo e a nuca levemente esverdeada-azulada; as penas externas das asas são azul-violáceas, visíveis principalmente em voo. O bico é amarronzado, mais claro em cima. Anda quase sempre em bandos barulhentos e rápidos. Em São Paulo é justamente o que muita gente chama de 'maritaca'.

Onde vive: Mata Atlântica e áreas urbanas do leste do Brasil, de Alagoas e Bahia até o Rio Grande do Sul e o Paraná. Muito comum em praças, parques, jardins e quintais arborizados de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

Periquitão-maracanã (maracanã)

Psittacara leucophthalmus

Bem maior que o periquito-rico, verde forte e brilhante, com a marca registrada de um anel de pele branca e nua ao redor do olho (íris alaranjada). Costuma ter algumas peninhas vermelhas soltas na cabeça e no pescoço, e mostra amarelo e vermelho por baixo das asas quando voa. Grita alto e voa em bando.

Onde vive: Da Amazônia ao Sul, em quase todo o Brasil, de matas a cidades grandes. Cada vez mais comum em centros urbanos do Sudeste, como Rio de Janeiro e periferias.

Maritaca (tiriba / Pyrrhura)

Pyrrhura frontalis

Em boa parte do Sul e Sudeste, 'maritaca' também é a tiriba-de-testa-vermelha: periquito verde de tamanho médio, com a testa e a borda das asas avermelhadas, peito 'escamado' (penas com borda mais clara) e barriga com uma mancha avermelhada. Voa em bandos rápidos e baixos pela borda da mata, com gritaria estridente. Não tem o anel branco no olho do maracanã.

Onde vive: Mata Atlântica do Sudeste e Sul do Brasil, descendo até o Rio Grande do Sul. Comum em bordas de mata, parques arborizados e quintais de cidades serranas e do interior.

Saí-verde (saí-de-perna-amarela)

Chlorophanes spiza

Passarinho pequeno (cerca de 13 a 14 cm) e muito vistoso: o macho é verde-azulado brilhante, com a 'máscara' preta no topo e nos lados da cabeça, olho vermelho e a mandíbula de baixo amarelo-clara. A fêmea é toda verde, mais fosca, sem a máscara e com a garganta amarelada. Bico fininho de quem gosta de néctar e frutinhas.

Onde vive: Borda e copa de matas úmidas e capoeiras, do leste do Brasil (de Pernambuco a Santa Catarina) e Amazônia. Visita comedouros e jardins com frutas e flores.

Saí-azul (fêmea verde)

Dacnis cayana

Aqui a pegadinha é a fêmea: enquanto o macho é azul-turquesa com preto, a fêmea é verde com a cabeça azulada e as perninhas alaranjadas. Passarinho pequeno e delicado, anda em casais ou pequenos grupos no alto das árvores.

Onde vive: Matas, bordas, plantações e jardins por grande parte do Brasil. Comum em quintais arborizados, inclusive em regiões serranas e no Sudeste.

Saíra-sete-cores (fêmea esverdeada)

Tangara seledon

O macho é um mosaico de turquesa, verde, preto, amarelo-laranja e azul. Quem vê 'um pássaro verde' costuma estar olhando a fêmea (ou um jovem), de cores mais apagadas e com as costas esverdeadas, enquanto no macho essa mesma região é preta. Anda em bandos, sempre na copa.

Onde vive: Mata Atlântica do Sudeste e Sul do Brasil. Aparece em parques, jardins e comedouros com frutas em cidades dessas regiões.

Como diferenciar

  • Tamanho e formato: se é um pássaro verde de bico curvo (de papagaio) voando em bando e gritando, é periquito ou maritaca; se é um passarinho pequeno de bico fino, calado e no pé de frutas, é saí ou saíra.
  • Anel branco no olho: presença de pele branca e nua em volta do olho aponta para o periquitão-maracanã; o periquito-rico e a tiriba (maritaca) não têm esse anel.
  • Vermelho na testa e nas asas: a tiriba/maritaca (Pyrrhura) tem testa e borda das asas avermelhadas e peito escamado; o periquito-rico é verde mais uniforme, com as penas externas das asas azuladas.
  • Verde puro x verde com máscara: o saí-verde macho tem 'capuz' preto na cabeça e olho vermelho; a fêmea da saí-azul é verde com cabeça azulada e pernas laranja.
  • Costas do bicho: na saíra-sete-cores, a fêmea tem as costas esverdeadas e o macho tem essa região preta e cheia de cores — bom truque para separar os dois.
  • Onde estava: verde em bando barulhento pela cidade = periquito/maritaca; verde pequeno e quietinho na copa ou no comedouro de frutas = saí/saíra.

Perguntas frequentes

Qual é o pássaro verde mais comum nas cidades do Brasil?

Quase sempre são os periquitos: o periquito-rico (Brotogeris tirica) no Sudeste e Sul, muito chamado de 'maritaca' em São Paulo, e o periquitão-maracanã (Psittacara leucophthalmus), maior e com anel branco no olho. Os dois voam em bandos barulhentos por praças, parques e quintais.

Maritaca e periquito são a mesma coisa?

'Maritaca' não é uma espécie, e sim um apelido popular que muda de região. Em São Paulo costuma se referir ao periquito-rico (Brotogeris tirica); em outras áreas do Sul e Sudeste pode ser a tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis) ou até o periquitão-maracanã. São todos parentes (família dos periquitos e papagaios), mas espécies diferentes.

Vi um passarinho verde pequeno e brilhante, não parece periquito. O que pode ser?

Provavelmente é um saí ou uma saíra. O saí-verde (Chlorophanes spiza) é verde brilhante com máscara preta no macho; a fêmea da saí-azul (Dacnis cayana) é verde com cabeça azulada e pernas laranja; e a fêmea da saíra-sete-cores (Tangara seledon) é esverdeada e mais apagada. Costumam aparecer no pé de frutas e em comedouros.

Posso ter um pássaro verde silvestre em casa?

Periquitos, maritacas, saís e saíras são aves silvestres nativas e protegidas por lei. O melhor é apreciá-las livres no quintal, oferecendo frutas e água limpa, sem tentar capturar ou prender. Bem-estar em primeiro lugar: observar de longe é o jeito mais saudável de conviver com elas.